Costa de Caparica: “Um Verão para esquecer”

“Este vai ser um Verão horrível, para esquecer”. A certeza é do o presidente da Associação Apoios de Praia Frente Urbana da Costa da Caparica, Acácio Bernardo, que receia as consequências de uma época balnear atípica, com receitas muito inferiores ao normal.

 

Os concessionários da frente urbana da Costa da Caparica estão preocupados com os impactos que a pandemia está a causar nos seus negócios. “Até ao final do ano muitos concessionários vão ficar em incumprimento e, possivelmente, três ou quatro vão fechar. As receitas diminuíram drasticamente”. O alerta é feito pelo presidente da Associação Apoios de Praia Frente Urbana da Costa da Caparica, Acácio Bernardo, em declarações ao ALMADENSE.

No restaurante Waikiki, localizado na praia da Sereia, constata-se a mesma quebra na afluência: “este ano o rendimento é muito inferior em comparação com outros anos e as despesas aumentaram”, afirma Nídia, responsável pelo staff. A chegar a meio da época balnear, já não acredita numa recuperação. “Creio que vai ser assim até ao final do verão”.

Também o presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, José Ricardo Martins, está a acompanhar com apreensão as consequências de um verão condicionado pela Covid-19. Recordando que a Costa tem sobretudo turismo interno português, o autarca acredita que as praias têm mantido níveis elevados de ocupação, mas admite que possa haver “algum receio das pessoas em frequentar os bares de praia, que têm relatado pouca afluência”.

José Ricardo Martins estende, contudo, a preocupação a todo o comércio da Costa de Caparica, indicando que os “problemas são transversais à malha urbana”. Receia, por isso, que o final da época balnear traga um forte aumento do desemprego na freguesia. Fala numa “catástrofe social”, mas ressalva que “não são problemas específicos da Costa de Caparica”, antes de “nível nacional”, garantindo que a Junta de Freguesia tem estado a reforçar o apoio social para responder às dificuldades.

 

Concessionários sem perspetivas de melhoria

Acácio Bernardo, proprietário do Paraíso Bar, também não prevê melhorias no futuro: “sou empresário há mais de 30 anos na Costa de Caparica, nunca vi nada igual. Sou um optimista por natureza, mas neste caso não. As pessoas vêm menos, e não há perspetivas de melhoria. Este vai ser um verão horrível, para esquecer”.

Ao ALMADENSE, o presidente da Associação que agrupa os concessionários manifestou ainda desagrado com a falta de mudanças no planeamento feito para este verão. “O Plano Integrado de Salvamento (PIS) foi elaborado em outubro, não estava prevista a pandemia. Está em execução como se nada fosse e não há mudanças. Cada concessionário aqui tem carga de 14 mil euros por época balnear. Na frente urbana temos uma renda mensal altíssima”.

Apesar dos apelos, Acácio Bernardo lamenta a falta de apoios dada aos concessionários. “O que desejaríamos é que as entidades ajudassem. Nenhuma entidade, seja a Câmara Municipal de Almada, a Junta de Freguesia, o Turismo de Portugal colaborou com um euro para este plano de pandemia”, diz o responsável, argumentando que a autarquia “tinha aqui um oportunidade para demonstrar que está com o povo da Costa de Caparica”, lamentando não ver “qualquer tipo de ação nesse sentido”.

 

Com Maria João Morais

 

Covid-19: já se conhece a lotação para as praias da Caparica

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *