Festival de Almada destaca produção teatral portuguesa

Este ano o Festival de Almada decorre de 3 a 26 de Julho com uma edição quase exclusivamente portuguesa. Devido à atual conjuntura pandémica, foram integradas na programação apenas três produções internacionais. 

 

Este ano serão menos as obras apresentadas, mas haverá mais sessões. Apesar da pandemia, a 37ª edição do Festival de Almada segue em frente, com uma programação quase inteiramente nacional: do total de 17 espetáculos, 14 são portugueses e três são criações estrangeiras.

Como é habitual, haverá lugar para estreias e a primeira terá lugar logo no dia de abertura do certame, a 3 de Julho. “Bruscamente no Verão passado”, de Tenesse Williams, é uma produção do Teatro Experimental de Cascais, que traz a lume a denúncia do preconceito e da intolerância na sociedade americana nos anos 50. A encenação é de Carlos Avilez, homenageado na edição do ano passado do Festival.

Este ano a distinção caberá a Rui Mendes, um dos mais reconhecidos atores portugueses, que será homenageado nomeadamente através de uma exposição dedicada ao intérprete, intitulada “O ator que queria ser sinaleiro”, patente no foyer do Teatro Municipal Joaquim Benite.

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Entre as estreias portuguesas encontra-se “As artimanhas de Scapin”, de Molière, um clássico da dramaturgia francesa traduzido por Carlos Drummond de Andrade, com encenação de João Mota e representação da Comuna – Teatro de Pesquisa. Por sua vez, a Companhia de Teatro do Algarve faz-se representar com a obra original de Michael Mckenzie, “Instruções para abolir o Natal”, que conta com a encenação de Isabel Pereira dos Santos.

Os dois teatros nacionais portugueses trazem também contributos de peso ao Festival de Almada, com criações dos seus diretores artísticos. O Teatro Nacional D. Maria II traz “By Heart”, intrepretado por Tiago Rodrigues, monólogo que ensina um soneto de Shakespeare a dez espetadores que entram em cena, enquanto que o Teatro Nacional de S. João se faz representar pela tragédia “Castro”, de António Ferreira, encenada por Nuno Cardoso, que nos transporta para uma tragédia amorosa “nos tempos do Tinder”.

Haverá ainda espaço para duas criações portuguesas levadas a cena pela Companhia de Teatro de Almada: Rodrigo Francisco encena Mártir de Marius von Mayenburg, equando que “A viagem de Inverno”, de Elfried Jelinek regressa com a encenação de Nuno Carinhas.

Entre a programação do Festival, destaque ainda para “O mundo é redondo”, de Gertude Stein, uma rara obra infantil da autora traduzida pela escritora Luísa Costa Gomes que é dirigida por António Pires, do Teatro do Bairro. Por sua vez, João Botelho traz a Almada “A criada Zerlinda”, do austríaco Hermann Broch, representada por Luísa Cruz e com cenografia de Pedro Cabrita Reis.

 

Participação internacional

Agnès Mateus e Quim Tarrida são uma dupla catalã que vai trazer “Rebota, rebota que en tu cara explota”, uma performance que representa um verdadeiro libelo contra o feminicídio. Ainda de Espanha, a companhia madrilenha La Tristura apresenta “Future lovers”, enquanto que o italiano Mario Pivorano traz a Almada “Johan Padan à descoberta das Américas”, uma anti-epopeia cómica que mostra o ponto de vista de um fugitivo da Inquisição Italiana que acaba por partir numa das naus de Cristóvão Colombo.

Devido às normas especiais motivadas pela pandemia de covid-19, este ano a lotação das salas foi reduzida para metade e não haverá espetáculos ao ar livre. Ainda assim, mantêm-se também algumas atividades complementares, como o lançamento do livro de Hajo Schüler, “O que pode ser visto” ou os colóquios com os artistas participantes no festival, levados a cabo em parceria com a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.

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