Transpraia: “Câmara de Almada podia ter ali uma fonte de rendimento”

Este verão, pela primeira vez em 60 anos, o icónico Transpraia não circula na Costa de Caparica. Com as negociações entre a empresa e a Câmara Municipal de Almada paralisadas, o futuro do comboio turístico é incerto. Embora acredite na viabilidade do projeto, o proprietário avisa: “se a Câmara não avançar, terei que fechar definitivamente”.

 

Durante décadas, foram várias as gerações de banhistas que se habituaram a percorrer as várias praias da Costa de Caparica a bordo do Transpraia. O cenário, contudo, não se repete este verão.

No ano em que assinala os 60 anos, o veículo turístico que faz a ligação entre as praias da Caparica e a Fonte da Telha, está parado. “Este ano era impossível colocar o comboio a circular. Precisa de pelo menos quatro meses de preparação e de uma manutenção que não foi feita”, admite ao ALMADENSE António Pinto da Silva, proprietário da empresa Transpraia, que opera o comboio.

Na base da paragem está, por um lado, a pandemia de Covid-19 e o confinamento a que obrigou. Mas também o impasse nas negociações entre o proprietário e a Câmara Municipal de Almada (CMA), que se “arrastam há dois anos”, explicam a paralisação. De acordo com Pinto da Silva, a autarquia mostrou-se interessada em adquirir o Transpraia numa operação feita através da WeMob, a empresa municipal de mobilidade que assegura a fiscalização do estacionamento em Almada. No entanto, as dificuldades financeiras que vive a antiga Ecalma, depois de acumular vários meses sem receitas, impossibilitaram a solução. “Se a Câmara não avançar, terei que fechar definitivamente”, admite o empresário.

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Um cenário que o presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, José Ricardo Martins espera que não venha a suceder. “O Transpraia é um ícone da Costa de Caparica”, afirmou o autarca ao ALMADENSE, indicando que o comboio “não deveria desaparecer”.

José Ricardo ressalva, ainda assim, que o Transpraia deveria ser “enquadrado num projeto de mobilidade maior”, defendendo um projeto de “solução integrada” com ligação da Trafaria à Fonte da Telha através da combinação da via rodoviária e ferroviária.

 

Viabilidade depende da localização

Caso avançasse com a compra do Transpraia, a Câmara Municipal de Almada “podia ter ali uma fonte de rendimento”, acredita o proprietário. Mas para isso, o terminal do comboio turístico deveria regressar ao centro da Costa de Caparica, ressalva António Pinto da Silva.

A transferência, feita em 2007, para a Praia Nova, representou o “início do declínio” do comboio, que viu a rentabilidade cair a pique: “perdeu um terço da receita”, aponta o responsável. “O Transpraia sempre viveu da sua visibilidade, as pessoas viam o comboio e queriam andar. Quando foi colocado num sítio que ninguém vê perdeu muito movimento”, indica Pinto da Silva.

Por isso, acredita que se o comboio voltar ao centro da Costa, “a viabilidade do projeto mantém-se”. Além disso, aponta, o Transpraia pode contribuir para “reduzir a carga automóvel na Fonte da Telha e outras praias, onde todos os anos há excesso de carros”, argumenta.

O ALMADENSE questionou a Câmara Municipal de Almada sobre os planos da autarquia para o Transpraia, mas não obteve resposta.

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Foto: Arquivo Transpraia

 

https://www.almadense.pt/mobilidade/iniciativa-cidada-denuncia-falta-de-acessos-ciclaveis-as-praias-da-caparica/

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